Com quase metade do PIB, sector consolida-se como motor da transformação estrutural de Angola

A economia angolana está a redesenhar o seu centro de gravidade. O sector dos serviços afirma-se hoje como o principal motor da actividade económica, representando 46,8% do Produto Interno Bruto, num sinal claro de transição para um modelo mais diversificado, urbano e orientado para o mercado.
Logo atrás, surgem a indústria extractiva e transformadora com 27,1%, enquanto o sector agropecuário e florestal responde por 25,2%. A fotografia é inequívoca, Angola já não é apenas uma economia de recursos, é, cada vez mais, uma economia de serviços.
Aviação como alavanca estratégica
O diagnóstico ganhou força na abertura da 75.ª Conferência do Conselho Internacional de Aeroportos de África, a 31 de Março, no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, onde José de Lima Massano voltou a sublinhar a transformação em curso na economia angolana.
A aviação surge neste contexto como um dos pilares mais relevantes desta transformação, com impacto directo no comércio, no turismo e na competitividade das economias africanas. Mais do que transporte, trata-se de infraestrutura crítica para integração económica.
Infra-estruturas que redefinem o território
O Executivo tem vindo a acelerar investimentos estruturantes no sector, com foco na mobilidade e conectividade. Entre os projectos emblemáticos destaca-se o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, símbolo de uma nova ambição logística para o país.
A expansão não se limita à capital. Estão em curso projectos nas províncias de Cabinda e Zaire, bem como o lançamento de novos aeroportos em Mavinga e Cazombo, reforçando a malha aérea nacional e aproximando territórios historicamente periféricos.
O objectivo é claro, garantir a ligação aérea entre as 21 capitais provinciais, promovendo coesão territorial e dinamização económica.
TAAG em transformação
No plano empresarial, a TAAG – Linhas Aéreas de Angola atravessa um processo de reestruturação orientado para eficiência, modernização da frota e reforço da conectividade internacional.
A companhia aérea nacional é vista como peça-chave na estratégia de posicionamento de Angola como hub regional, capaz de ligar África ao mundo com maior competitividade.
Entre riscos globais e oportunidades africanas
O sector da aviação não está imune às tensões internacionais. Conflitos em regiões como a Europa de Leste e o Médio Oriente continuam a pressionar os custos operacionais, sobretudo devido à volatilidade dos combustíveis e ao impacto nas cadeias logísticas globais.
Ainda assim, este contexto abre espaço para uma reconfiguração estratégica. África é chamada a repensar o seu modelo de conectividade, alinhando-se com iniciativas como o Mercado Único Africano de Transporte Aéreo, que visa liberalizar e dinamizar o espaço aéreo continental.
Reconhecimento internacional e ambição futura
A realização, em Luanda, da 75.ª Conferência do Conselho Internacional de Aeroportos de África é interpretada como um reconhecimento dos progressos de Angola no sector da aviação civil.
O encontro reúne líderes aeroportuários, decisores políticos e especialistas, posicionando o país no centro das discussões sobre o futuro da mobilidade aérea em África.
Muito mais do que números
Na leitura da ÁXIS, os 46,8% do sector dos serviços não são apenas um indicador estatístico. Representam uma mudança estrutural profunda, onde a conectividade, a logística e a mobilidade passam a definir o ritmo do crescimento económico.
Angola está a deixar de ser apenas um ponto no mapa dos recursos. Está a afirmar-se como plataforma de serviços, circulação e influência regional.